O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, demonstrou irritação com os investigadores da Polícia Federal responsáveis pela segunda fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14). Em um despacho, ele reclamou do pedido de prisão feito pelos policiais contra o empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.
Toffoli considerou que os policiais descumpriram deliberadamente uma ordem dele. Segundo despachos divulgados pelo STF, a nova fase da Compliance Zero deveria ter sido deflagrada ontem. A ordem do ministro, autorizando buscas e apreensões foi tomada na segunda-feira (12), com prazo de 24 horas para o cumprimento dos mandados. O prazo se encerraria por volta das 14h.
Contudo, na tarde de ontem, depois do fim do prazo, a Polícia Federal apresentou nova petição, em que solicitava a prisão de Zettel. Os investigadores disseram a Toffoli que encontraram o registro de uma passagem de avião em nome do empresário, rumo a Dubai, Emirados Árabes. Consideraram que seria mais fácil realizar busca pessoal nele presencialmente do que indo atrás de Zettel em endereços pessoais.
O pedido foi concedido, mas não sem uma reclamação formal de Toffoli. Para o ministro, o descumprimento da ordem original pode prejudicar a obtenção de provas contra os investigados e, por consequência, os processos penais envolvendo os suspeitos de fraudes no Banco Master. Afirmou ainda que qualquer frustração dos investigadores será de responsabilidade exclusiva dos policiais e mandou intimar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para explicar a demora.
Zettel foi preso na madrugada desta quarta-feira, justamente no momento do embarque, mas acabou solto horas depois, assim que os policiais encerraram as buscas relacionadas à operação. Além dele, também foram alvos os empresários João Carlos Falbo Mansur e Nelson Tanure, o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o pai dele, Henrique Vorcaro. Nenhum dos outros alvos foi preso.

