O caso da Abin paralela, operação da Polícia Federal que mirou um grupo suspeito de aparelhar ilegalmente a Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Bolsonaro, segue sem parecer da Procuradoria-Geral da República sete meses após a conclusão das investigações.

Como mostrou o Bastidor, a PF indiciou 36 pessoas, incluindo o vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente. A PGR ainda não ofereceu a denúncia, não pediu mais informações à PF e nem arquivou o caso. As apurações provocaram estragos no funcionamento da agência. Após o inquérito, a Abin editou uma série de normas que endureceram o uso dos sistemas pelos agentes de inteligência.

As investigações da PF fragilizaram a Abin estratégica e operacionalmente no governo Lula. Falta orçamento para operações e e está limitado o uso de sistemas para atividade de inteligência.

No cenário internacional, principalmente em países que fazem fronteira com o Brasil, o indiciamento dos diretores da Abin afetou a capacidade de negociação para obtenção de informações e na conquista de fontes com acesso governamental. A Intelis, entidade que representa os agentes de inteligência, defende a saída de Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da Abin indiciado por interferência e obstrução de justiça.

Em meio ao escasso acesso a sistemas de inteligência, um limitado orçamento e uma investigação parada na PGR, a atuação da Abin na crise na Venezuela, país vizinho do Brasil, foi pouco eficiente. A agência não mantinha sequer um adido -espécie de representante- no país desde 2020.

Segundo pessoas ligadas à investigação, um parecer da PGR deve ser entregue ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após o recesso do Judiciário. A expectativa é que a manifestação desidrate muitos indiciamentos apresentados pelo relatório final da PF e que se recomende algumas punições administrativas.

Para isso, a CGU (Controladoria-Geral da União), que participou de todas as fases da investigação da Abin paralela, já instaurou ao menos 14 sindicâncias contra servidores da agência e recomendou que fossem demitidos.