O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou os embargos de declaração apresentados pelo Banco Central e manteve para a próxima terça-feira (30) uma acareação entre o presidente do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Aílton de Aquino Santos.
O ministro afirmou que o diretor do BC e a autoridade monetária não são investigados no inquérito. Toffoli escreveu, contudo, que “sua participação [do diretor do BC] nos depoimentos e acareações entre os investigados é de especial relevância para o esclarecimento dos fatos”.
O despacho de Toffoli veio em resposta ao Banco Central, que pediu esclarecimentos ao ministro. O órgão queria saber, por exemplo, o papel do seu diretor na acareação. O BC também perguntou sobre a necessidade de realização da audiência.
O diretor do BC teve uma reunião marcada com Vorcaro no dia 17 de novembro, segundo consta na agenda pública do Banco Central. No dia seguinte, o dono do Master foi preso. Um ofício interno do BC sobre a videoconferência, como mostrou o Bastidor, é uma das peças usadas pela defesa de Vorcaro.
A tentativa de compra do Master pelo BRB foi anunciada em março. O BRB, gerido pelo governo do Distrito Federal, pretendia investir 50 bilhões de reais para adquirir 49% das ações com direito a voto do Master. A compra foi rejeitada pelo BC. Em novembro, o BC determinou a liquidação extrajudicial do banco, simultaneamente a uma operação da Polícia Federal que prendeu Vorcaro por uma semana.
Em novembro, a defesa de Vorcaro apresentou uma série de documentos do BC e do BRB para rebater argumentos que redundaram na liquidação do Master e para contestar a Operação Compliance Zero, que resultou em sua detenção. A defesa argumentou que o caso devia ser levado ao Supremo, o que foi aceito por Toffoli.

