O PL, maior partido da Câmara e dono da maior bancada do Senado, precisou de um ex-deputado para abrir as portas do Supremo Tribunal Federal. Fora da política formal desde 2022, o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia foi convocado — ou, segundo ele, convocou-se — para intermediar um encontro da cúpula do partido com o ministro Gilmar Mendes.

A reunião aconteceu no apartamento de Maia, em Brasília, no fim de julho. Estiveram lá o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho e o deputado Sóstenes Cavalcante. Na versão pública de Maia, foi ele o arquiteto da ponte entre o PL e o decano do STF.

Nos bastidores, a história é outra. Fontes relataram ao Bastidor que o pedido partiu do PL: seus líderes precisavam de alguém com trânsito no Supremo. Maia foi o caminho mais curto.

Houve críticas à reunião entre conselheiros de Jair Bolsonaro. Consideraram “inacreditável” membros do partido terem que recorrer a um ex-deputado para conseguir agenda com um ministro do Supremo. Vem daí, inclusive, desaprovação à radicalização da bancada do PL no Congresso, como noticiou o Bastidor: na visão de alguns aliados de Bolsonaro, essa postura só serve para fechar mais as portas do Supremo às suas necessidades de diálogo.