A radicalização da bancada bolsonarista em relação a ministros do Supremo Tribunal Federal, intensificada após a determinação da prisão domiciliar ao Jair Bolsonaro ontem, está longe de ser unanimidade entre aliados do ex-presidente.
Há um setor do bolsonarismo, formado por aliados de Bolsonaro e por pessoas próximas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, incomodado com o radicalismo. Eles reclamam que as ações prejudicam a manutenção dos canais de diálogo com ministros do Supremo.
Nesta terça-feira (5), a oposição obstruiu os trabalhos no Congresso. Os bolsonaristas exigem a votação do projeto de anistia a Bolsonaro e aos condenados do 8 de janeiro, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e o fim do foro privilegiado. Sobram ataques aos ministros do STF.
Fontes ligadas a Bolsonaro disseram ao Bastidor que ministros do Supremo estão irritados e que essas ações atrapalham conversas mantidas sobre o futuro de Bolsonaro.
Há um movimento desses aliados em busca de alternativas para o pós-julgamento de Bolsonaro, em setembro. Entre elas está a possibilidade de Bolsonaro cumprir a pena, à qual deve ser condenado, em prisão domiciliar, em vez de ir para um presídio.
Os aliados de Bolsonaro fazem críticas em especial à atuação do deputado Eduardo Bolsonaro. Protegido nos Estados Unidos, Eduardo tem radicalizado os ataques a Moraes e ao Supremo. Por sua posição de filho, seu radicalismo obriga parte da bancada a repetir o mesmo tom agressivo em sua atuação.

