A Polícia Civil de São Paulo abriu um novo inquérito para investigar a ligação entre as fintechs Soffy Soluções e BMB Pagamentos, que receberam cerca de R$ 275 milhões provenientes do maior ataque hacker já registrado contra ao sistema financeiro brasileiro.

A ligação entre as duas fintechs foi apontada pela primeira vez pelo Bastidor, em julho. Juntas, as duas empresas receberam metade dos 541 milhões de reais desviados do banco BMP.

Os proprietários da BMB Pagamentos, Guilherme Henrique Bernardes de Freitas e Rodrigo Antonio Bernardes de Freitas, criaram a Soffy em 2023. Guilherme Freitas disse ao Bastidor que vendeu a fintech em janeiro de 2025 ao ex-cozinheiro Stevan Paz Bastos, como mostrou o Bastidor. “A Soffy foi criada para ser vendida e não temos nenhuma ligação com ela”, disse.

Além de Guilherme e Rodrigo, Josiane Apolinário também foi sócia da Soffy e da BMB. A relação entre os três ex-sócios das duas fintechs levantou suspeitas. A polícia busca eventuais conexões entre eles e suas empresas com outros presos envolvidos no roubo.

O ataque hacker aconteceu no final de junho mirou a empresa de tecnologia C&M, que presta serviços a diversos bancos, e desviou cerca de 3 bilhões de reais. Parte deste dinheiro, 541 milhões de reais, saiu do banco BMP. Desse montante, 270 milhões de reais foram transferidos para contas administradas pela Soffy e 6 milhões de reais para contas da BMB.

Todas as envolvidas são pequenas empresas de pagamento. A BMB não pode fazer operações bancárias tradicionais, como transferências, depósitos e concessão de crédito. Oferece um serviço de “Pix indireto”, que usa contas transacionais para que seus clientes possam fazer transferências.

No caso da BMB, o dinheiro do roubo foi parar nas contas de duas empresas suas clientes: a Global Cobranças e Serviços recebeu 2,5 milhões de reais e a Lechaim Cobranças e Assessoria, 3,5 milhões de reais. Ambas as contas foram bloqueadas por decisão judicial.

A BMB afirma que devolveu aproximadamente R$ 4,5 milhões dos 6 milhões de reais ao banco BMP. Disse ainda que rastreou o valor restante, notificou as autoridades e encerrou as contas da Global e da Lechaim.

A Polícia Civil também investiga o fato de a Global e a Lechaim pertencerem à mesma pessoa, Rayanne Christine Ribeiro Correa. As empresas não têm sites ou atuação assídua no mercado financeiro. Na plataforma Reclame Aqui, usuários relataram fraudes em um site de negociações de criptomoedas chamado Qrybut, vinculado à Lechaim.

O Bastidor procurou a Global Cobranças e Serviço por ligações e mensagens com o único número disponível, mas não obteve respostas. Guilherme Freitas, um dos sócios da BMB Pagamentos, disse que colabora com as investigações. “Permanecemos inteiramente à disposição para fornecer quaisquer informações adicionais que se façam necessárias”.