O grupo de mídia Comcast, o segundo maior do mundo na TV por assinatura, anunciou que pretende se desfazer de algumas das principais marcas que opera, para investir de forma mais robusta em serviços de streaming. Um dos canais que devem ser desligados da estrutura principal da empresa é a CNBC, cuja marca estreou no Brasil no dia 17.

A operação, chamada de spin-off, cria uma nova empresa, que vai abraçar os canais MSNBC, CNBC, USA, Oxygen, E!, Syfy e Golf Channel. A mudança também vai envolver as plataformas digitais Fandango e Rotten Tomatoes, GolfNow e Sports Engine.

No último ano, essas empresas faturaram, juntas, cerca de 7 bilhões de dólares. O valor ainda é considerado bom para o mercado, mas a Comcast avalia que há pouco potencial de crescimento nos próximos anos.

A mudança era esperada. O mercado especulava qual conglomerado inauguraria o movimento de se desfazer de canais de notícias. Canais na TV a cabo, sobretudo de notícias, estão em declínio: embora ainda dêem lucro, têm custos altos e as perspectivas são de queda de faturamento. É o início da fase mais aguda da transição da TV linear para os serviços de streaming. Os principais conglomerados de mídia global avançam nessa estratégia. Mas a Comcast foi a primeira a formalizar a separação dos ativos de TV a cabo. Não estarão mais no core do negócio.

A mudança ainda não deve afetar as transmissões do canal Times Brasil CNBC, porque a subsidiária brasileira é uma empresa que apenas licenciou a marca e não tem ligações administrativas com os detentores americanos. O modelo é o mesmo da CNN Brasil e da CNN Money.

O objetivo da Comcast com a separação é avaliar se esses canais conseguem se manter sozinhos, sem ajuda financeira do grupo, que detém outras marcas importantes do entretenimento, como os estúdios de cinema Universal, Dreamworks e Illumination, além dos canais e parques temáticos.

Na avaliação da Comcast e do mercado, a mudança também permitiria uma venda mais fácil dessas marcas a outras empresas. Acredita-se que fundos de private equity poderiam se interessar pelos negócios.

O movimento da Comcast é visto como uma importante retomada de investimentos no setor de streaming. Durante a pandemia, as empresas que atuam na internet tiveram um crescimento exponencial. Mas a inflação e o aumento nos custos de produção de novas atrações elevou preços e levou a uma onda de cancelamentos. Houve queda nas ações de muitas dessas empresas e cancelamento de projetos.

O mercado agora espera uma decisão semelhante da Warner Bros Discovery, dona da CNN. Nos Estados Unidos, a CNN perde audiência, receita, influência e talentos em ritmo acelerado. A crise é existencial, apesar de o canal ainda ter uma operação lucrativa. David Zaslav, o CEO da Warner, já indicou que a CNN precisará cortar custos nos próximos meses. A WBD, como é conhecida, tem uma dívida imensa. Zaslav precisa equalizar a dívida e, como seus pares, trata as marcas de jornalismo como ativos comuns, que precisam se viabilizar no ambiente digital e não mais linear.