ACM Neto pode ser chamado de padroeiro dos empreiteiros. Graças ao pré-candidato ao governo e seus aliados, a Comtech Engenharia tornou-se exemplo de sucesso em Salvador e em outras cidades da Bahia. A empreiteira tinha cerca de 11 milhões de reais em contratos com a prefeitura soteropolitana até 2016. Só que esse valor mais que decuplicou a partir de 2018, chegando, após muitos aditivos, aos atuais R$ 163 milhões.

É bem verdade que 61% desse faturamento estrondoso veio graças a uma parceria com a empreiteira CBS para “serviços de infraestrutura, estabilização e contenção de encostas” em alguns bairros de Salvador. Essa segunda empresa é importante porque mostra, junto com a Comtech, uma rede que liga empresários, políticos baianos e contratos polpudos.

Laços familiares também podem ser uma explicação para a ascensão da empresa. A Comtech pertence a Laércio Alves, parente de José Marcos de Moura por ter se casado com uma das sobrinhas do empresário baiano. Moura, chamado de Mister M nos bastidores políticos da terra de todos os santos, é próximo de ACM Neto; auxiliado pelo político, com quem partilha um avião, tornou-se o Midas do lixo na Bahia.

Marcos Moura, empresário responsável pela coleta de lixo em Salvador e São Francisco do Conde.
Marcos Moura, empresário responsável pela coleta de lixo em Salvador e São Francisco do Conde. Foto: Facebook

Já a CBS pertence a Marcelo Adorno Farias, sócio de Rodrigo Loureiro Souto em outra empreiteira, a Ecolurb, e de Vitor Loureiro Souto na Naturalle Tratamento de Resíduos. A ligação do trio com ACM Neto existe pelo pai de Rodrigo e Vitor, Paulo Souto, ex-governador da Bahia e ex-secretário da Fazenda durante a gestão de ACM Neto na prefeitura de Salvador. A união é tão lucrativa que envolve também o lixo soteropolitano num contrato de mais de 235 milhões.

O Bastidor questionou todos os citados no teto, mas não obteve resposta até a publicação.