Depois que Jair Bolsonaro prometeu reajuste salarial para policiais federais e penais, magistrados, promotores e procuradores de Justiça cobraram o presidente, Luiz Fux e líderes de entidades classistas pela recomposição salarial prevista na Constituição.
Agora, com o capitão reformado colocando o aumento da PF em xeque, integrantes do Ministério Público, juízes e desembargadores que participaram das discussões já consideram a luta como perdida.
Admitem ainda que, apesar da esperança em conseguir o reajuste salarial, sempre souberam da quase impossibilidade de vitória. “A rigor, as discussões aprofundadas entre as categorias sequer tinham começado”, disse um procurador.
Esses interlocutores também duvidam que Bolsonaro tente forçar um aumento apenas a algumas categorias, porque há precedente da década de 90, em que militares foram os únicos a ter os salários reajustados para depois as outras categorias conseguirem o mesmo direito por via judicial.
Um desembargador afirmou que as chances de vitória nasceram mortas porque o próprio Judiciário não enviou sua proposta orçamentária prevendo a recomposição. “Temos que evitar que isso se repita, aprendendo que o STF tem que mandar a proposta orçamentária completa”, disse.
Útil ao agradável
Há a suspeita de que Bolsonaro, ao tentar atender um grupo que precisa para eleger, aproveitou para desviar o foco de outras questões importantes do país. “Juntaram o útil ao agradável”, disse um integrante do Ministério Público.
Ele considera que o presidente realmente quer agradar os policiais, mas acha que a exposição do tema serviu para diminuir as atenções sobre o apagão de dados na Saúde e os a pandemia.
Já um magistrado considerou toda a polêmica salarial um “balão de ensaio” para para dividir o funcionalismo público – ainda mais em ano eleitoral. “Mas não duvido que futuramente venha uma medida provisória e o reajuste dos policiais seja garantido”, finalizou

