O Senado aprovou há pouco o jabuti do carvão revelado pelo Bastidor. O texto irá à sanção do presidente Jair Bolsonaro.

Aprovado na miúda pela Câmara na segunda, o projeto quicou rápido no Senado. Não estava na pauta do plenário da Casa. Foi incluído pelos senadores de Santa Catarina e aprovado em quatro minutos. Apenas o senador José Aníbal expressou preocupação com o texto.

Na Câmara, Victor Bicca, presidente da Agência Nacional de Mineração, e seus aliados no empresariado conseguiram transformar um projeto que subsidiava pequenas distribuidoras de energia numa proposta que confere 15 anos de sobrevida legal e financeira ao poluentes carboníferos de Santa Catarina. 

Como atestam lobistas envolvidos na empreitada e funcionários da ANM, o projeto aprovado à sorrelfa, sem discussão, consiste numa linha obrigatória de financiamento público à energia suja gerada numa das principais carboníferas de Santa Catarina. 

O novo texto era imprescindível para o futuro do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, o maior grupo de usinas a carvão da América Latina. Ele foi vendido recentemente por 325 milhões de reais pela Engie Brasil à Diamante Geração de Energia. Espera-se que gere bilhões de reais em receitas nos próximos anos. O jabuti assegura que o negócio siga prosperando nas próximas décadas, apesar do imenso impacto ambiental.