Procuradores já previam que Augusto Aras não se mexeria para tentar reverter as mudanças aprovadas pelo Congresso na Lei de Improbidade Administrativa. O que os surpreendeu foi o fato de ministros de STF e STJ esperarem um movimento como esse do PGR.
“A surpresa é que surpreende. Ninguém esperava”, disse um procurador ouvido pelo Bastidor.
Os ministros das cortes superiores acharam que a grita de promotores e procuradores de Justiça sobre o tema faria Aras tomar uma atitude. Mas isso não aconteceu, apesar da (mínima) pressão contra o PGR.
Uma das pressões consideradas por procuradores foi a nota técnica da 5ª Câmara do MPF (especializada no combate à corrupção), que definiu, conforme o próprio texto, “um primeiro norte na defesa do sistema anticorrupção”.
Porém, não se sabe se o texto divulgado no último dia 11 vai pressioná-lo a se manifestar na questão. Alguns procuradores suspeitam que Aras, por cautela política, não se moverá para questionar a nova lei – o PGR ainda espera virar ministro do Supremo no lugar de André Mendonça.
Eles afirmaram ao Bastidor que Aras vai esperar alguém questionar a lei – o que já está sendo organizado – para fazer suas críticas na manifestação obrigatória da PGR no processo. “Apresentar os problemas da lei em uma ação proposta por outro tem um peso diferente, inclusive para os políticos”, afirmou um procurador.

