Adversários e até aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira, são só reclamação com o comando da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba em Alagoas, a Codevasf, que, no estado, é ocupado por João José Pereira Filho.

Joãozinho Pereira, como é conhecido, é primo de Arthur Lira e só está no cargo por sua indicação.

Na última semana, Pereira levou a companhia para participar da Exposição Agropecuária e Derivados de Alagoas, em Maceió, segundo a própria entidade, para “promover ações e projetos do governo federal” para o desenvolvimento da região.

A reclamação é que a Codevasf, em vez de promover o governo federal e seus aliados, transformou seu estande em propaganda quase que exclusiva de Lira, porque praticamente todos os projetos lá expostos foram direcionados a partir das indicações do presidente da Câmara.

Somente em 2020, Lira direcionou 70 milhões de reais das emendas secretas, as RP9, para a companhia comandada pelo primo.

Deputados reclamam, não é de hoje, da concentração de poder nas mãos do presidente da Câmara, que está com a chave do cofre das emendas secretas. Já há até movimentação para limá-lo em 2023, quando tentará se reeleger no comando da Casa.

Normalmente, a reclamação é que Lira direciona o dinheiro apenas a um seleto grupo. Mas, neste caso, Lira direcionou a grana pesada somente à sua própria base eleitoral.

A insatisfação com a distribuição das emendas do relator está na raiz da dificuldade do governo de ter quórum e voto para aprovar a PEC dos Precatórios, que Lira tenta aprovar na Câmara.

O líder do governo, ao insistir para que deputados apareçam em Brasília nesta quarta-feira, 3 de novembro, para votar a proposta de emenda à Constituição tem ouvido que não adianta dizer ser fundamental a sua aprovação para a manutenção das emendas se, tirando os mais próximos de Lira, ninguém tem visto os recursos.