O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, do Podemos de Minas Gerais, afirmou nesta segunda-feira (23) que a comissão decidiu recorrer ao Supremo Tribunal Federal para prorrogar seu trabalhos por mais 60 dias. O prazo atual termina em 28 de março e os parlamentares querem mais tempo para concluir as investigações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas.

Viana disse que o pedido será levado ao Supremo diante da ausência de resposta formal do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, a quem cabe autorizar e fazer a leitura do requerimento em plenário. Segundo o senador, há uma “manobra administrativa” para impedir a extensão da CPMI.

Ele afirmou que, sem a prorrogação, a comissão pode encerrar as atividades sem ouvir personagens centrais do caso. “Não podemos permitir que pessoas com muito dinheiro e influência política escapem de prestar contas”, afirmou.

Alcolumbre e a CPMI do INSS mantêm uma relação difícil. O presidente do Senado negou à CPMI dados de acessos do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, considerado principal operador do esquema, a gabinetes de senadores.

A CPMI tentou – e não conseguiu – quebrar o sigilo bancário e convocar para depor Paulo Boudens, ex-assessor de Alcolumbre, que recebeu recebeu 3 milhões de reais da Arpar Participações e Empreendimentos, uma das empresas que, segundo a PF, foi usada no esquema de fraude que roubou aposentados e pensionistas.

Na semana passada, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que a Presidência do Senado devolva à Polícia Federal todo o material com dados sigilosos do Banco Master e de seu dono, Daniel Vorcaro, e os compartilhe com a CPMI. Parlamentares querem tempo para analisar o material, que estava trancado na Presidência por ordem do ministro Dias Toffoli.

Dirigido por um afilhado político de Alcolumbre, o fundo de pensão dos servidores públicos do Amapá, Amprev, investiu 400 milhões de reais em títulos do Banco Master, contra todas as recomendações da área técnica.

De acordo com Viana, ainda que há grande volume de documentos pendentes e que, sem a extensão do prazo, a investigação poderá ficar comprometida.