A conversa entre o presidente Lula e o senador Ciro Nogueira no fim do ano passado foi além de um possível pacto de não agressão entre PT e PP no Piauí. O PP quer acordos com o PT em Pernambuco, no Maranhão e Alagoas. A prioridade são as vagas no Senado.
A principal vantagem para o presidente em sua campanha à reeleição seria um acordo pelo qual, em escala nacional, PP e União Brasil, que formam uma federação, ficariam neutros. Liberariam seus integrantes para apoiar qualquer candidato a presidente, sem assumir compromisso com Flávio Bolsonaro.
Para o PP, as vantagens estão nos estados do Nordeste.
No Piauí, Ciro vai tentar a reeleição sob condições difíceis, pois o estado é majoritariamente lulista e o governador, Rafael Fonteles, é do PT. Seus principais adversários, que compõem a chapa com Fonteles, são Marcelo Castro, do MDB, e Júlio César, do PSD. O acordo que Ciro quer prevê que o PT priorize a campanha de Castro, em detrimento da candidatura de Júlio César.
Na prática, Castro teria dinheiro para sua campanha, enquanto o acesso de César aos recursos financeiros disponibilizados pelos aliados.Esse movimento ajudaria Ciro Nogueira, mesmo na oposição do atual governador e de Lula.
Júlio Cesar é casado com a senadora Jussara Lima, também do PSD. Por ser suplente de Wellington Dias, do PT, ela assumiu o cargo após o ex-governador virar ministro do Desenvolvimento Social. O PP usa como argumento a presença dela no Senado como argumento para enfraquecer a candidatura do marido.
Em Pernambuco, como mostrou o Bastidor, o candidato do PP ao Senado é o deputado Eduardo da Fonte. Lá, PT e PSB mantêm conversas que podem sacrificar a pré-candidatura de Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos, que também pretende disputar uma vaga.
Em Alagoas, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, do PP, vai disputar o Senado contra Renan Calheiros, do MDB. Lula buscou um pacto entre os dois. Reuniu-se no ano passado com ambos, em diferentes momentos, e tratou da composição informal. Sem sucesso. O acordo esbarrou na resistência de Renan, que não topou nem abrir qualquer tipo de negociação. Quer formar chapa com o filho, Renan Filho, para governador e João Henrique Caldas para senador.
No Maranhão, o ministro dos Esportes, André Fufuca, quer ser o candidato de Lula para o Senado ou governo do estado. Ele se aproveitaria de um racha na base lulista. O atual governador, Carlos Brandão, cogitou disputar o Senado, mas resolveu permanecer no cargo até o fim do mandato para não passar o comando da gestão para o vice, Felipe Camarão, do PT, que disputará o Executivo estadual. Brandão quer lançar seu sobrinho, Orleans Brandão, para o governo, mas não conta com o apoio de Lula.
Ex-aliado de Lula e do PT, Ciro Nogueira se aproximou do bolsonarismo e se tornou um crítico agressivo do presidente por anos. Mudou de posição após dois revezes significativos recentes: a oficialização da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, em vez de Tarcísio de Freitas, a quem Ciro apoiava; e a eclosão do caso Master – o senador é tido como o principal defensor do banco, foi autor de uma emenda que beneficiaria o banco ao aumentar de 250 mil para 1 milhão de reais os depósitos garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito.

