A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira (12) um mandado de busca e apreensão contra a advogada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, em uma investigação sobre desvio de emendas parlamentares. Nas investigações, Fialek é tratada como operadora do orçamento secreto, que permite os congressistas distribuir emendas sem qualquer medida de transparência.
Fialek foi assessora de Arthur Lira durante sua gestão na Presidência da Câmara e, segundo as investigações da PF, continuava cuidando do trâmite de emendas de relator até os dias atuais. De acordo com site da Câmara dos Deputados, Mariângela é assessora na liderança do partido Progressista com salário cerca de 17 mil reais.
A operação Transparência foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda determinou o afastamento de Mariângela de qualquer função relacionada a emendas parlamentares. Segundo da PF, a investigação apura os crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção.
O inquérito foi aberto após denúncias de deputados, principalmente Glauber Braga, PSOL do Rio, que escapou de ter o mandado cassado na terça-feira (9). Em seu depoimento, Braga relata a influência que Fialek exercia sobre as comissões, indicando para quais municípios as emendas deveriam ser destinadas. “Tinha uma secretária do Lira, uma pessoa que eu não me recordo o nome e era quem operava isso, na prática, levando a lista daquilo que tinha que ser colocado”, afirmou Braga.
De acordo com depoimentos colhidos pela PF, Fialek encaminhava minutas de ofícios e planilhas com indicações de recursos aos presidentes de comissões, sem identificação de autores, beneficiários ou objetos das emendas. Inclusive, segundo os relatos, o esquema chegou a contrariar a vontade formal das próprias comissões.
Além de Glauber Braga, a PF ouviu José Rocha (União Brasil-BA), Adriana Ventura (Novo-SP) e Fernando Marangoni (União Brasil-SP) e o senador Cleitinho (Republicanos-MG). Em linhas gerais, todos afirmaram que o controle orçamentário das emendas ficava sob responsabilidade da Presidência da Câmara, com o direcionamento de recursos para redutos políticos específicos, especialmente em municípios de Alagoas, reduto eleitoral de Lira.
As investigações apontam ainda uma conexão direta de Lira no esquema. Braga menciona um episódio em que o deputado José Rocha, que presidia uma comissão não especificada, não cumpriu a lista enviada por Fialek para destinação de emendas. Braga afirma que Rocha recebeu uma ligação de Lira, que questionou a atitude.
José Rocha confirmou a informação em seu depoimento à PF. “Tuca só fazia receber. Tudo que eu, tudo olha tudo, todos os ofícios e planilhas recebidas pela presidência da minha comissão vieram da presidência, enviado pela Tuca”, diz um trecho.
Um dos casos citados pela PF envolve o município de Rio Largo, em Alagoas, que recebeu 90 de milhões de reais em emendas entre 2019 e 2020, apesar do histórico de denúncias de corrupção no município. Do montante, 19 milhões foram enviados das emendas de Arthur Lira.

