O PT vê no ex-ministro Márcio França o maior empecilho para o avanço da composição da chapa de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. França, principal nome do PSB no estado, insiste em ser candidato ao Senado.
O PT prefere que as duas vagas ao cargo sejam ocupadas pelas ex-ministras Simone Tebet, também do PSB, e Marina Silva, da Rede. As conversas caminhavam para esse desfecho depois que Haddad passou a buscar um nome ligado ao agronegócio para vice.
França se sentiu desprestigiado ao ser deixado de lado nas conversas. Por ter certo recall eleitoral, já que foi governador por alguns meses em 2018, quer protagonismo na chapa e descartou, ao menos por ora, entrar na disputa pela vice de Haddad. Chegou a sugerir que o posto ficasse com Marina ou Tebet, hoje convencidas de que o melhor cenário para ambas é disputar as vagas no Senado.
Com dificuldade em ampliar a aliança além dos partidos de esquerda, o PT, como mostrou o Bastidor, passou a testar alguns nomes para a vice de Haddad, entre eles, Marina e França. O diagnóstico é que a melhor opção é alguém diferente dos dois: uma pessoa com perfil conservador, de preferência mulher e que tenha ligação com o agronegócio paulista.
Pesquisa Quaest divulgada em abril mostrou Tebet e Marina na liderança da disputa pelo Senado num cenário sem França. Tebet também aparece à frente num cenário que tem França, mas sem Marina.
Procurado, Márcio França disse que colocou o seu nome “à disposição do presidente Lula para ele decidir”. Até lá, caberá ao ex-ministro demover Marina Silva ou Simone Tebet da ideia de disputar o Senado. O presidente estadual do PSB-SP é Caio França, filho do ex-ministro.

