O presidente Lula (PT) planeja recriar Ministério da Segurança Pública para reforçar o discurso na campanha eleitoral deste ano. Sem grandes resultados na área, Lula pretende com o gesto demonstrar empenho no combate às facções criminosas. A segurança pública é a principal preocupação dos brasileiros, de acordo com todas as mais pesquisas de opinião.
Com a saída de Ricardo Lewandowski do governo, a proposta ganhou mais tração. Há três pré-candidatos a ministros de uma área que terá visibilidade. Um dos candidatos é o senador Fabiano Contarato, do PT do Espírito Santo. Delegado de polícia, Contarato é visto como alguém de destaque na área e enfrenta dificuldades para se reeleger. Outro candidato é o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, um dos auxiliares de confiança de Lula.
Uma ala do PT defende partido, integrantes defendem Tarso Genro, ex-ministro da Justiça no primeiro mandato de Lula. O escolhido terá de assumir o cargo imediatamente, o que o impedirá de disputar a eleição em outubro.
No lugar de Lewandowski, como mostrou o Bastidor, Lula busca um substituto que também tenha bom trânsito com ministros do Supremo Tribunal Federal e capacidade de articulação no Congresso. O nome cotado mais óbvio é o senador Rodrigo Pacheco, que não pretende ser candidato a nada este ano.
Para Lula, a proposta, no entanto, só deve ser efetivada após a aprovação da PEC da Segurança, em tramitação no Congresso, que dará ao novo ministro mais autonomia para trabalhar. A medida remontaria os moldes do governo Temer, que dividiu a pasta em duas, Justiça e Segurança Pública.
Segundo pessoas a par das discussões, o planejamento prevê que ficará sob o guarda-chuva do novo ministério a coordenação da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e dos agentes penitenciários federais. Além deles, a gestão do Fundo Nacional de Segurança Pública, o FNSP, também será remanejado para nova pasta.

