Em representações encaminhadas ao Ministério Público Federal e à Comissão de Ética da Presidência da República, o partido Novo pede que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, seja investigado por improbidade administrativa e conflito de interesses devido à participação no 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, patrocinado pelo Banco Master em Londres, em abril de 2024.
Além de Rodrigues, estiveram no evento ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, o ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
Após o evento, cerca de 40 pessoas – Rodrigues entre elas – participaram de um happy hour em um hotel, no qual degustaram whisky Macallan às custas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O evento custou cerca de 640 mil dólares ao banco. Ao final, todos ganharam uma garrafa da bebida.
O Novo alega que a viagem paga pelo Master a Rodrigues superou, em muito, o valor do teto estabelecido por lei para presentes que funcionários públicos podem receber. Servidores podem receber brindes que alcancem até 1% do teto remuneratório do serviço público, hoje fixado em 46 mil reais – portanto, em torno de 460 reais. Segundo o Novo, só as diárias do hotel em que Rodrigues se hospedou custam 6 mil reais, em valores atuais.
Por meio de um pedido feito via Lei de Acesso à Informação, a Polícia Federal informou que ao partido a participação de Rodrigues foi toda custeada pelos organizadores. “Ademais, o Diretor-Geral não recebeu remuneração, cachê, honorário, ajuda de custo ou qualquer outro benefício dos organizadores do evento”, afirma a PF. A informação reforçou o pedido de investigação do Novo.
O convescote foi citado pelos ministros do Supremo na reunião de 12 de fevereiro, quando o ministro Dias Toffoli se afastou da relatoria do caso Master. O evento foi celebrado por Daniel Vorcaro em mensagem de texto trocada com a então noiva, Martha Graeff. “Todos os ministros do Brasil, do STF, STJ etc. E euzinho discursando”, disse.
O Bastidor entrou em contato com a Polícia Federal sobre a representação do Novo, mas não houve resposta.
Leia a íntegra das representações:

