As primeiras declarações do senador Renan Calheiros a respeito do grupo de trabalho criado para acompanhar as investigações sobre o Banco Master sepultam qualquer chance de aproximação entre ele e o seu principal adversário político em Alagoas, o deputado Arthur Lira.
Uma dobradinha para a eleição no Senado chegou a ser aventada por integrantes do governo Lula, interessados no apoio de ambos para a reeleição do presidente. Renan nunca concordou com a ideia.
Ao Bastidor, o senador afirmou que o grupo de trabalho terá como prioridade tratar de uma suposta pressão exercida por Lira e pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre o Tribunal de Contas da União. Tem repetido que os dois deputados trabalham para a reversão da liquidação do Master, estabelecida pelo Banco Central.
A criação do grupo na Comissão de Assuntos Econômicos é mais um palco para a disputa entre os adversários. É também uma frente, na interpretação de parlamentares ouvidos pela reportagem, para esvaziar a CPMI do Master, que já tem assinaturas suficientes para ser instalada.
Compõem o colegiado de Renan os senadores Fernando Farias, Eduardo Braga, Esperidião Amim, Randolfe Rodrigues, Alessandro Vieira, Leila Barros, Damares Alves, Soraya Thronick e Omar Aziz. Nem todos foram informados oficialmente sobre os trabalhos. Omar Aziz, por exemplo, quando questionado pelo Bastidor nesta terça-feira (20), disse que sequer sabia que integrava o grupo.
Em nota, Lira disse que Renan Calheiros “tem se especializado em criar fake news, como essa, para ganhar espaço na mídia e atacar sem provas seus adversários”. Acrescentou: “Além disso, usa assuntos sérios de forma leviana para chantagear o Governo, o Parlamento e tentar limpar a própria biografia, muito manchada por mal feitos”.

