A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (26) a quebra do sigilo fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada em uma votação em bloco, com cerca de 80 requerimentos. Entre as solicitações, estava também a quebra de sigilo fiscal de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.

O pedido de quebra do sigilo de Lulinha foi solicitado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar, do União Brasil de Alagoas. Ele baseou o requerimento em uma investigação da Polícia Federal, que encontrou menções ao filho do presidente em uma conversa entre a advogada Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A Polícia Federal investiga se Lulinha recebeu de Antunes dinheiro de descontos irregulares em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS.

O jornal Poder360 afirma que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou em janeiro a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha em janeiro, a pedido da Polícia Federal.

Em relação à CPMI, no entanto, há dúvidas em relação a prazos. Os trabalhos da comissão terminam em 28 de março e o próprio relator não sabe dizer se haverá tempo de receber e analisar os dados de Lulinha. O presidente da CPMI pediu a extensão do prazo, quer mais 60 dias de trabalho, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não respondeu. Viana recorreu ao Supremo Tribunal Federal para ganhar mais tempo.

A aprovação do requerimento terminou em pancadaria. Parlamentares da base governista contestaram a forma como o presidente da CPMI, Carlos Viana, do Podemos de Minas Gerais, conduziu a votação. Viana decidiu fazer uma votação simbólica, na qual os que eram contra os requerimentos deveriam ficar em pé. Parlamentares do PT afirmam que havia 14 em pé, contra 7 sentados.

Viana disse que metade dos que estavam em pé eram suplentes e declarou a aprovação dos requerimentos. O PT pediu anulação, Viana recusou. A briga começou. O deputado Rogério Correia, do PT de Minas, atacou o relator, Alfredo Gaspar. Em seguida, Correia empurrou Luiz Lima, do Novo do Rio de Janeiro, que lhe deu socos. Ninguém se feriu.

A sessão foi suspensa por alguns minutos, até que os ânimos se acalmassem. Os governistas foram até a residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para pedir a anulação da votação. Em dezembro, a base governista havia conseguido barrar um requerimento para quebrar os sigilos de Lulinha.