Em conversas nos últimos dias, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, assegurou: não cederá às pressões, algumas pesadas e recentes, para ajudar Jorge Messias a chegar ao Supremo. Ele reiterou que “não há chance”, como descreveu um interlocutor dele ao Bastidor, de encaminhar o nome do advogado-Geral da União à sabatina, caso Lula retire Messias do limbo jurídico em que o meteu. (O presidente anunciou a escolha de Messias como novo ministro do Supremo em novembro, mas, diante da oposição de Alcolumbre e da falta de votos para o candidato, não encaminhou formalmente a indicação ao Senado.)
A aliados, Alcolumbre repetiu que, se preciso, segurará o nome de Messias até as eleições. A posição de Alcolumbre surpreendeu um dos interlocutores. Este, que também participa das negociações entre a cúpula dos três Poderes, supunha que Alcolumbre recuaria após o agravamento da crise do caso Master. Mais especificamente, aos recados oblíquos que chegaram ao presidente do Senado de que, se não cedesse quanto a Messias, seria o próximo alvo da Polícia Federal nas investigações sobre Daniel Vorcaro, sob a relatoria do ministro André Mendonça.
No jogo cada vez mais pesado entre governo, Congresso e Supremo, marcado por desconfianças mútuas e profundas, esses recados com aparência de chantagem, procedam eles ou não, são levados a sério. Moldam o comportamento de quem manda na política e na Justiça do país. Aos interlocutores, Alcolumbre garantiu nada temer e que, se havia alguma intenção de dobrá-lo, o resultado será o oposto.

