Um dia após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, a diplomacia brasileira articula uma nota conjunta com críticas à ofensiva militar em território venezuelano. O movimento é liderado pela Colômbia. Há, contudo, um problema: a baixa adesão de outros países ao documento.

Em conversa com o Bastidor neste domingo (4), o assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, Celso Amorim, principal conselheiro do presidente Lula em assuntos internacionais, atribui a dificuldade ao cenário político atual da América Latina, marcado pelo avanço do que chama de extrema-direita e pela contaminação da política interna por discursos que relativizam o direito internacional. É esta, por ora, a principal iniciativa com participação do Brasil.

Na segunda-feira (5), o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, a ONU, se reúne para tratar do tema. O Brasil não é membro do órgão, mas participa como convidado. Espera-se a condenação da ação militar, a defesa da carta e dos princípios da ONU e o multilateralismo, num tom semelhante ao usado pelo presidente Lula em nota divulgada ontem. Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa da reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a Celac, para discutir o tema. A articulação pela nota conjunta passa por esse encontro, previsto para às 14h por videoconferência.

Questionado sobre uma eventual ameaça direta ao Brasil, Amorim diz que não tem cabimento. Os argumentos usados para a operação na Venezuela não se encaixam aqui. Ponderou ainda a operação consolida um precedente perigoso.