O depoimento do cabo da Polícia Militar de Minas Gerais e representante da Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, frustrou quem esperava informações explosivas sobre corrupção na compra de vacinas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. Vários senadores acreditam que ele pode ser o personagem de uma armação para proteger o Executivo.

Dominguetti deu entrevista à Folha de S.Paulo e acusou o ex-Diretor de Logística em Saúde, Roberto Ferreira Dias, de pedir propina de US$ 1 por dose em uma compra de imunizantes produzidos pela AstraZeneca. A proposta negociada seria de 400 milhões de doses e o preço era de US$ 3,5.

Dias foi exonerado do cargo e a citação do nome dele nas acusações de Dominguetti provocou turbulência na relação do centrão com o Bolsonaro porque envolve o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência Onyx Lorenzoni.  

A desconfiança dos senadores aumentou depois que Dominguetti tentou acusar o deputado Luís Miranda e o irmão dele, servidor do Ministério da Saúde, de envolvimento em compra de vacina. Os irmãos Miranda prestaram depoimento à CPI na sexta-feira 25 de junho e relataram que desconfiaram de corrupção na compra da Covaxin e alertaram Bolsonaro.

O senador Alessandro Vieira chegou a pedir a prisão do cabo da PM mineira porque ficou convencido de que o depoente estava mentindo. Para Vieira, a narrativa de Dominguetti procurava mostrar uma briga de quadrilhas, mas o governo seria a vítima nesse esquema de corrupção.