A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal ainda não faz avançar a discussão sobre o projeto de lei da anistia aos condenados pelo 8 de janeiro. Há pouca mobilização para ajudar Bolsonaro e muito cálculo sobre vantagens para o Centrão.
Partidos do centrão exigem o apoio de Bolsonaro à candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à presidência da República no ano que vem, como mostrou o Bastidor. É uma condição imposta por dirigentes do PP e do União Brasil.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) defende que a pauta seja dividida em duas etapas, segundo relatou ao Bastidor uma liderança do campo bolsonarista envolvido nas negociações: a primeira contemplaria os condenados que já estão presos pelos ataques; e a segunda, mais abrangente, viria após Bolsonaro confirmar o apoio a Tarcísio.
Vem de Nogueira a maior pressão para que o ex-presidente feche com Tarcísio. O senador se coloca como um dos cotados para ser vice numa eventual chapa presidencial.
Bolsonaro ainda não se manifestou. No acordo, o ex-presidente seguiria inelegível, mas poderia ficar livre das acusações criminais.
Deputados do PL de Bolsonaro fazem pressão pública sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que ele pauta a urgência na próxima semana. As negociações, contudo, são feitas no andar de cima, por dirigentes de PP, União Brasil, Republicanos e PSD.
O governo Lula ameaça retaliar os partidos da base que votarem a favor da proposta. Quer impedir não só o projeto, mas também atrapalhar as articulações em torno de Tarcísio.
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