Parlamentares da oposição avaliam que já contam com um caminho para o início das investigações da CPMI do 8 de janeiro. O requerimento da comissão deve ser lido na próxima semana pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD).
Como mostrou o Bastidor, deputados bolsonaristas já tinham como alvo, além do ministro da Justiça, Flávio Dino, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Gonçalves Dias.
O ministro faltou a um depoimento que deveria dar nesta quarta à comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados e pediu demissão. O que era um convite virou uma convocação para a próxima quarta-feira (26).
Às imagens de Dias no Palácio do Planalto durante a invasão acrescenta-se uma ordem dele próprio para dispensar um pelotão de 36 homens do Batalhão da Guarda Presidencial 20 horas antes.
Outro ponto que será investigado é um documento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos, enviado a Flávio Dino na véspera. No texto, Passos relata intensa movimentação nos quarteis, com intenção de “tomar o poder” e de “impedir a instalação do comunismo no Brasil”.
Pelas imagens divulgadas até o momento, diz um deputado ao Bastidor, é possível identificar quem são os invasores. O objetivo é buscar informações do passado deles. Se houver qualquer ligação com a esquerda, mesmo que em um passado distante, será o ponto-chave a ser explorado pela oposição.
Um exemplo usado por um parlamentar é o caso de Adélio Bispo, autor da facada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi filiado ao PSOL muito antes de cometer o crime.

