A confusa situação institucional criada no Rio de Janeiro pela renúncia do governador Cláudio Castro criou um cenário inusitado até os padrões locais. Filiado ao Republicanos e recém-reabilitado, o ex-governador Anthony Garotinho anunciou que pode concorrer a dois cargos este ano. Se a eleição for direta, será candidato a governador no mandato tampão, que vai até o final do ano, e pretende ser candidato a deputado federal em outubro.
O projeto de Garotinho depende do que decidirá o Supremo Tribunal Federal na quarta-feira (8): se a eleição será direta ou indireta – nesse caso, feita pela Assembleia Legislativa, a Alerj.
Governador do Rio entre 1999 e 2002, Garotinho foi reabilitado à política no fim de março, por decisão monocrática do ministro Cristiano Zanin, do STF, que anulou as condenações criminais que fundamentavam a restrição de seus direitos políticos. Zanin entendeu que parte das provas foi obtida de maneira irregular pela quebra da cadeia de custódia, gerando a nulidade processual.
Garotinho foi condenado em vários processos, por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, associação criminosa, enriquecimento ilícito, dano ao erário, entre outros. O caso examinado por Zanin era uma condenação gerada pela operação Chequinho, que apurou um esquema de compra de votos em Campos dos Goytacazes, reduto eleitoral de Garotinho.
Segundo a Justiça, Garotinho oferecia cartões de benefícios sociais em troca de votos. Em apenas dois meses, o número de beneficiários subiu de 12 mil para 30 mil pessoas. Ele também já havia sido condenado anteriormente por desvios na Secretaria de Estado da Saúde, que resultaram em prejuízo de 234 milhões de reais. Ele sempre negou as irregularidades.
A decisão de Zanin foi dada em uma liminar, portanto vale até que o plenário do Supremo analise o mérito do caso. O Ministério Público Eleitoral recorreu da decisão. No recurso, afirma que a defesa de Garotinho apresentou a Zanin um argumento que já havia sido derrubado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2024.

