O caso Master e a mistura da janela partidária com as negociações de candidaturas nos estados ameaçam a federação entre o PP e o União Brasil, que será julgada pelo Tribunal Superior Eleitoral no dia 26. A ligação pode ser formalmente aprovada, mas a desunião predomina na prática.
O caso Master é o ponto mais sensível. Parlamentares realizaram mais de um encontro, inclusive em residências de senadores do PP, para pressionar o senador Ciro Nogueira a não avançar com a aliança. A federação, no entanto, segue.
A relação do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, com o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro, tem sido discutida em conversas de integrantes dos dois partidos. Fontes ouvidas pelo Bastidor afirmam que a percepção é que a relação entre Vorcaro e Rueda é de negócios, nada tem a ver com a política, o que gera apreensão em ano eleitoral diante do risco de associação dos partidos ao caso.
Os políticos enxergam diferenças entre o caso de Rueda e o do senador Ciro Nogueira. Apesar de ser o parlamentar mais notoriamente ligado a Vorcaro, o “amigo para a vida toda”, Ciro é influente nos dois partidos, tem “trânsito consolidado”. Rueda nunca disputou uma eleição, é visto como alguém de fora, que não tem capital político.
Outro ponto de desgaste é uma articulação, atribuída a Rueda com o governo, para que partidos do Centrão apoiem o deputado Odair Cunha, do PT, para a vaga no Tribunal de Contas da União. O governo fez um acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta, no ano passado, para que a vaga fosse de Cunha. Mas surgiram quatro outros candidatos – entre eles, o deputado Elmar Nascimento, do União Brasil.
O clima ruim criado pelo Master piora dificuldades que já existiam em estados onde PP e União Brasil são concorrentres locais. Na Paraíba, o senador Efraim Filho e líder do União no Senado, deve deixar a federação por falta de garantia para uma candidatura ao governo. O União Brasil tende a apoiar o vice-governador Lucas Ribeiro, do PP.
Sem espaço, Efraim planeja se filiar ao PL no domingo (22). No início da negociação havia o compromisso de definir candidaturas com base em pesquisas, mas o acordo foi esvaziado diante da indefinição da federação e do avanço de outros nomes. Outra insatisfação de Efraim é não ser o preferido para assumir a liderança da federação no estado, hoje atribuída a Aguinaldo Ribeiro, do PP.
O deputado Mendonça Filho, do União Brasil de Pernambuco, chegou a pedir o cancelamento da federação, alegando insegurança jurídica e impacto na organização eleitoral. O movimento ocorre em meio a um impasse sobre quem a federação deve apoiar na eleição ao governo local: a governadora Raquel Lyra, do PSD, candidata à reeleição, ou o prefeito do Recife, João Campos, do PSB.
Aliado de Raquel, Mendonça defende que a direção nacional intervenha para definir o posicionamento. Defende também que a formalização da federação ocorra apenas depois das eleições, hipótese já descartada

