A Câmara e o Senado só terão sessões e reuniões de comissões remotas esta semana. Ou seja: os parlamentares não precisarão ir a Brasília. O motivo oficial é a janela partidária, período em que deputados e senadores podem mudar de partido sem serem punidos, que começou no dia 6 e vai até 3 de abril. O motivo real é o medo de novas revelações do caso Master. Parlamentares preferem não correr o risco de estar pelos corredores do Congresso se isso acontecer.

Ao Bastidor, um líder partidário da Câmara afirmou que a decisão foi tomada em consenso entre as lideranças. Segundo ele, o presidente da Casa, Hugo Motta, abriu a reunião de líderes na quinta-feira (5) questionando se havia concordância em realizar sessões remotas durante a janela partidária. A maioria dos deputados apoiou a proposta.

No Senado, porém, a condução foi diferente. De acordo com relatos, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, não comunicou formalmente os líderes sobre a mudança. Um senador afirmou que só soube das sessões remotas após ser questionado pelo Bastidor.

O modelo remoto desobriga os parlamentares de irem a Brasília. Assim, todos ficam menos expostos a eventuais descobertas da Polícia Federal no caso Master. Na semana passada, surgiram trechos de diálogos em que Vorcaro fala de suas relações com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o senador Ciro Nogueira (“amigo para a vida toda”) e cita o presidente da Câmara, Hugo Motta.

As sessões à distância evitam também que Alcolumbre e Motta sejam pressionados a instalar uma CPI para investigar o caso Master. No caso de Alcolumbre, há também a vantagem de evitar a pressão pela prorrogação da CPMI do INSS, prevista para terminar no dia 28.

As sessões presenciais estão previstas apenas para a semana que vem, de 15 a 20 de março, quando o Congresso deve fazer um esforço concentrado — período em que deputados e senadores se dedicam prioritariamente à votação de matérias urgentes ou acumuladas.

Depois, o Congresso voltará a funcionar de forma virtual nas duas semanas seguintes, até o fim da janela partidária, em 3 de abril.