O presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou nesta quarta-feira (28) que não deve instalar uma CPI para investigar a liquidação do Banco Master, mesmo com assinaturas suficientes coletadas. Na saída da primeira reunião de líderes do ano, Motta afirmou que é necessário respeitar a fila, que tem 17 CPIs na frente.

O recesso legislativa acaba na semana que vem, mas Motta fez uma reunião para definir prioridades e organizar a pauta de retomada dos trabalhos legislativos.

Há três pedidos de investigação do caso no Congresso – um na Câmara, protocolado pelo deputado Rodrigo Rollemberg; um no Senado, de Eduardo Girão; e um de CPMI, que uniria as duas casas, de Carlos Jordy, do PL, que amplia o escopo para além das suspeitas financeiras e inclui menções ao suposto envolvimento de ministros do STF.

Como mostrou o Bastidor, apenas o requerimento apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg, do PSB do Distrito Federal, reúne assinaturas de parlamentares do PT. O pedido concentra a apuração no papel do BRB na tentativa de compra do Banco Master. O líder do PT, Lindbergh Farias, confirmou que já assinou o requerimento. Em contrapartida, criticou a iniciativa articulada por Carlos Jordy, do PL, de uma CPMI, afirmando que o partido não considera esse o caminho mais apropriado para a investigação.

A resistência à instalação de uma comissão de inquérito, porém, não se limita à Câmara. No Senado, o presidente Davi Alcolumbre indicou a aliados que não pretende abrir CPI relacionada ao caso em ano eleitoral, apesar de haver requerimentos com apoio mínimo para tramitação.   

Entre oposicionistas, a CPMI é considerada mais estratégica no momento. Pelo regimento interno do Congresso, uma comissão mista deve ser instalada automaticamente, desde que cumpra os requisitos constitucionais. Ou seja: não depende de decisão política de Alcolumbre, apenas do cumprimento das regras regimentais.

Diante do impasse, lideranças discutem concentrar a apuração no grupo de trabalho criado por Renan Calheiros na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O grupo pode convocar autoridades, requisitar documentos e propor medidas para aprofundar a investigação.