Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a ser preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4), em São Paulo. A ordem foi dada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após concluir que ele e seu grupo continuaram a delinquir após a primeira prisão.

Ao concordar com o pedido da Polícia Federal, Mendonça afirma que Vorcaro lidera um grupo criminoso voltado a intimidar adversários, inclusive jornalistas, que podia destruir provas e obstruir a investigação. Afirma que as “medidas menos gravosas” – a prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica – se mostraram insuficientes para conter o grupo.

“As atividades criminosas, tal como demonstrado pela Polícia Federal em sua representação, continuaram a ocorrer mesmo após o início do inquérito e as operações dele decorrentes”, disse o ministro. Mendonça decidiu à revelia da Procuradoria-Geral da República. O procurador-geral, Paulo Gonet, pediu mais tempo para analisar o caso, mas o ministro desconsiderou o pedido.

Vorcaro foi preso em novembro e passou 11 dias na cadeia. Foi solto por ordem do ministro Dias Toffoli, que determinou a prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. No mês passado, Toffoli deixou a relatoria do caso, após a divulgação que a sociedade anônima de sua família, a Maridt, recebeu recursos do fundo Arleen, ligado a negócios do Master, segundo o Estadão.

Os indícios para o pedido de prisão vieram, em sua maioria, de mensagens descobertas pela PF no telefone celular de Vorcaro. A PF aponta aponta que o esquema operava em três frentes: atuação no sistema financeiro, uso de um grupo para monitorar e intimidar críticos de Vorcaro e cooptação de servidores públicos.

Vorcaro é suspeito de pagar propina a servidores do Banco Central por meio de contratos simulados. O ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária Belline Santana foram alvos de busca e apreensão nesta quarta. Segundo a investigação, eles analisavam previamente documentos do Banco Master relacionados ao processo de venda ao BRB antes de seu envio formal ao Banco Central.

Além de Vorcaro, Mendonça determinou a prisão de Fabiano Zettel, pastor e cunhado do banqueiro, que se entregou à Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (4). Segundo as investigações, Zettel é apontado como o responsável por operacionalizar pagamentos de propina a servidores do Banco Central e também por financiar as atividades do grupo encarregado de intimidar críticos de Vorcaro.

Também foram presos Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado como operador do grupo responsável pelas ações de monitoramento e intimidação, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que vigiava alvos e obtinha dados de forma ilegal. Os dois participavam com Vorcaro de um grupo no WhatsApp chamado “A Turma”, usado para organizar ações de coleta de informações e pressão contra adversários.

Na estrutura financeira do esquema, Leonardo Augusto Furtado Palhares e Ana Claudia Queiroz de Paiva aparecem como responsáveis pela operacionalização de pagamentos ligados ao grupo “A Turma”.

De acordo com a decisão de Mendonça, Palhares formalizou contratos simulados utilizados para viabilizar repasses financeiros a servidores do Banco Central. Já Ana Claudia é apontada como operadora financeira da organização, responsável por executar transferências bancárias destinadas aos integrantes do grupo envolvido em ações de monitoramento e intimidação.

O Bastidor tenta contato com as defesas dos alvos.

Leia a decisão do ministro André Mendonça:

Decisão do Ministro André Mendonça- Op. Compliance Zero