O ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça Marcio Toledo foi alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal nesta terça-feira (31) por obstrução de justiça. Ele é um dos investigados no inquérito que apura o esquema de venda de sentenças na Corte.

A ação foi motivada por uma perseguição do ex-servidor a um agente da PF. Márcio reconheceu na rua um veículo de sua propriedade, apreendido nas investigações, sendo utilizado por um policial federal, que estava autorizado a conduzir o veículo. É comum que veículos apreendidos sejam usados pela Polícia Federal em serviço.

Márcio, então, passou a seguir o agente, que percebeu a situação. A conduta foi interpretada pelos investigadores como tentativa de obstrução.

A PF pediu a prisão de Márcio, mas o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido de prisão e autorizou apenas a busca e apreensão.

No STJ, Marcio atuou nos gabinetes das ministras Isabel Gallotti e Nancy Andrighi. Ele foi demitido em outubro de 2025. Além de vazamento de decisões de ministros do STJ, a PF identificou que Márcio inseriu decisões falsas no sistema interno da Corte para simular resultados favoráveis e cobrar valores dos envolvidos nos processos.

Como mostrou o Bastidor, a fraude ocorreu em agravos internos analisados no gabinete da ministra Nancy Andrighi. Os casos envolviam disputas entre o grupo Bom Jesus Agropecuária contra a Jotta Participações e do empresário José Pupin, conhecido como rei do algodão, em face da Bom Futuro Campo Verde Agropecuária.

Os arquivos foram exportados em PDF e encaminhados ao lobista Andreson Gonçalves, principal personagem do esquema, que está preso em Brasília, e ao advogado Roberto Zampieri, pivô do escândalo que foi assassinado em dezembro de 2023.

Segundo a PF, Márcio recebeu ao menos 4 milhões de reais de Andreson. Ele foi indiciado pelos crimes de violação de sigilo funcional e corrupção passiva.