O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, usou a leitura de seu relatório sobre a ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros 7 réus por golpe de Estado, nesta terça-feira (02), para alfinetar golpistas e os EUA. Antes de relatar o que foi feito, Moraes afirmou que deixar de punir os que tentaram acabar com a democracia não pacificará o Brasil.
Segundo o ministro do STF, “a impunidade, a omissão e a covardia não são opções para a pacificação”, pois isso “deixa cicatrizes traumáticas na sociedade e corrói a democracia”, como já aconteceu mais de uma vez na história brasileira.
Há meses, Jair Bolsonaro, políticos do PL e de outros partidos e simpatizantes do bolsonarismo usam o argumento de que uma anistia seria a saída para pacificar o país”.
Moraes fez também uma referências às pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que baixou um tarifaço aos produtos brasileiros e colocou o próprio ministro sob o rigor da Lei Magnitsky. Moraes disse que ninguém, nem potências estrangeiras, amedrontarão o STF. Fez referência a uma “verdadeira organização criminosa”, que tentou “coagir” o Supremo.
Alexandre de Moraes falou por cerca de 1h30. Sua participação foi a primeira etapa do julgamento na Primeira Turma do Supremo, que terá sessões nesta semana e na próxima.
Respondem ao processo como mentores intelectuais da tentativa golpista o ex-presidente Jair Bolsonaro; os ex-ministros Anderson Torres, Augusto Heleno, Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal, Alexandre Ramagem; e o ex-ajudante de ordens de Mauro Cid, responsável pela delação que expôs detalhes da trama.
O grupo responde pelos crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
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