Pressionado por revelações da imprensa e atos da Polícia Federal, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, admitiu nesta quinta-feira (12) ter sido um dos sócios do Tayayá Ecoresort, hotel que frequentou no interior do Paraná. Reconheceu também que uma fatia da participação de uma empresa de sua família no empreendimento foi comprada pelo fundo Arleen, que tem como cotista indireto Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo.
Toffoli tomou a atitude um mês depois de a Folha de São Paulo mostrar que o fundo Arleen comprou parte da participação dos irmãos do ministro no resort. Toffoli admite na nota ser sócio da Maridt, uma sociedade anônima na qual apareciam apenas os nomes de dois de seus irmãos, José Eugênio Dias Toffoli e José Ticiano Toffoli.
Na nota, Toffoli afirma que a Maridt vendeu parte de sua participação no Tayayá ao fundo Arleen em 27 de setembro de 2021, e a parte restante à empresa PHD Holding em 21 de fevereiro de 2025. Usa o fato de ter se tornado relator do caso Master em 28 de novembro de 2025, seis meses depois de não ter mais participação no Tayayá, como justificativa para não declarar-se suspeito no caso Master.
Toffoli afirma que nunca recebeu diretamente nenhum valor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ou de seu cunhado, Fabiano Zettel. Também negou ser amigo de Vorcaro, alvo de inquérito sob a relatoria do dele no STF.
Toffoli divulgou a nota durante a manhã. Na noite de quarta, Toffoli havia divulgado uma primeira nota, na qual classificou como “ilações” os argumentos apresentados pela Polícia Federal em manifestação à Presidência do Supremo Tribunal Federal no caso do Banco Master. Como mostrou o Bastidor, de acordo com um ministro a par do assunto, a PF diz ter identificado o que poderia caracterizar como relações impróprias entre Daniel Vorcaro e Toffoli, relator das principais investigações sobre o caso Master no STF.
De acordo com o Uol, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou uma manifestação sobre a situação de Toffoli no caso Master ao presidente do Supremo, Edson Fachin, em uma reunião na segunda-feira (9). O encontro consta na agenda do presidente do STF, mas o teor da conversa não foi divulgado. Fachin mandou intimar Tofolli, que ainda não respondeu.

