O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, divulgou uma segunda nota de esclarecimento para detalhar os encontros que manteve com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Nos dois textos, Moraes negou ter pressionado Galípolo para que o BC aprovasse a compra do Banco Master pelo BRB.

A primeira nota foi divulgada na manhã de terça-feira (22), e a segunda foi distribuída na noite do mesmo dia. As manifestações respondem a informações publicadas pelo jornal O Globo, segundo as quais Moraes procurou o presidente do BC para fazer pressão em favor do banco.

Ao longo do dia, outros veículos também publicaram reportagens afirmando que Moraes ligou para Galípolo para tratar da operação envolvendo o Master. Assim como no caso de O Globo, as informações foram atribuídas a fontes anônimas. O ministro admitiu parte dos encontros com Galípolo, mas afirmou que as reuniões trataram exclusivamente dos efeitos da Lei Magnitsky.

Na nota, Moraes afirma que realizou, em seu gabinete, duas reuniões com o presidente do BC para discutir impactos da aplicação da Lei Magnitsky. A primeira ocorreu em 14 de agosto, após a primeira aplicação da lei, em 30 de julho; a segunda, em 30 de setembro, depois de a medida ter sido aplicada contra sua esposa, Viviane Barci de Moraes, em 22 de setembro.

“Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master. Esclarece, ainda, que jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto”, diz o texto.

O escritório de Viviane Barci de Moraes mantinha um contrato com o Banco Master que previa pagamentos de 3,6 milhões de reais por mês. Assinado em 2024, se levado até o fim, o acordo renderia 129 milhões de reais ao escritório. Em novembro, porém, o Master foi liquidado pelo Banco Central.

A nota de Moraes ainda esclarece que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central. O texto distribuído à imprensa continha erros de pontuação, ortografia e datas. Mesmo na segunda versão da nota, que já era a terceira manifestação do ministro, parte das falhas permaneceu, como a ausência de crase numa frase e a grafia incorreta de Magnitsky, registrada como “Magnistiky”.

Leia a íntegra da nota de Moraes:

NOTA À IMPRENSA (corrigida)

O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que realizou, em seu gabinete, duas reuniões com o Presidente do Banco Central para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnistiky. Aprimeira no dia 14/08, após a primeira aplicação da lei, em 30/07; e a segunda no dia 30/09, após a referida lei ter sido aplicada em sua esposa, no dia 22/09. Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente a aquisição do BRB pelo Banco Master. Esclarece, ainda, que jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto. Por fim, esclarece que o escritório de advocaciade sua esposa jamais atuou na operação de aquisição Master-BRB perante o Banco Central.