A defesa de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, pediu ao Supremo Tribunal Federal a manutenção dos benefícios negociados em troca da delação premiada que ajudou a mostrar a participação do ex-presidente e de outros integrantes do antigo governo no plano golpista de 2022. Os argumentos foram apresentados à Primeira Turma do STF nesta terça-feira (2), no primeiro dia do julgamento dos oito primeiros réus.

Como era prevista e ocorreu nas fases anteriores do processo, os advogados de Cid afirmaram que ele colaborou com a Justiça, procuraram ressaltar a importância das informações dadas por ele para a elucidação do caso e disseram que a eventual anulação dos benefícios negociados com as autoridades acabaria com o a delação premiada como ferramenta de combate ao crime, pois os fatos não detalhados por Cid foram apenas aqueles que não conhecia.

Em seu pronunciamento feito pouco antes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, minimizou a importância da colaboração de Cid, apontou falhas e, como já fizera antes, defendeu que ele seja condenado porque as informações que passou à PF foram incompletas e contraditórias.

Também pesou contra Cid uma reportagem de Veja, que mostrou áudios em que ele fazia críticas ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, e à Polícia Federal. Cid afirmava ter sido pressionado por Moraes e pela PF a entregar fatos que desconhecia, para conseguir argumentos suficientes par a condenação de Bolsonaro. Porém, nesta terça, a defesa disse que Cid não foi pressionado pelas autoridades e que delatou por livre e espontânea vontade.

As defesa dos outros réus vão se manifestar ao longo desta terça-feira, no plenário da Primeira Turma do STF. O julgamento continuará nesta quarta-feira (3) e nos dias 9, 10 e 12 de setembro.

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