O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Civil deflagraram, nesta sexta-feira (24), a operação Recon com mandados de busca e apreensão contra integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) acusados de monitorar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, e o diretor dos presídios da região oeste paulista, Roberto Medina.

Gakiya é reconhecido como a autoridade com maior conhecimento sobre a facção e com extenso trabalho de investigação e combate aos criminosos. Medina coordena os presídios da região, entre eles o de Presidente Venceslau, onde estão presos os mais perigosos líderes do PCC.

De acordo com documentos da investigação obtidos pelo Bastidor, o plano foi descoberto em julho, com as prisões de Victor Hugo da Silva, conhecido como VH, e Welisson Rodrigo Bispo de Almeida, o Corinthinha. Nos celulares apreendidos com eles foram descobertas trocas de mensagens que revelaram ações de vigilância e levantamento de rotina das duas autoridades.

Além de Victor Hugo e Welisson, participou da empreitada Sérgio Garcia da Silva, o Messi. Os três estão presos. Segundo a investigação, o trio coletava e repassava informações à célula do PCC denominada “Restrita Final”, responsável por organizar atentados contra agentes públicos.

A investigação reuniu conversas interceptadas, dados de geolocalização, fotografias e vídeos que revelam o monitoramento de endereços e veículos das vítimas. De acordo com a Polícia Civil, Sérgio era o responsável por monitorar a rotina de Gakiya em Presidente Prudente (SP). Os dados de geolocalização extraídos do celular de Messi comprovaram sua presença nas proximidades da casa do promotor e o acompanhamento de sua rotina entre junho e julho deste ano.
Foram localizados vídeos e fotos das redondezas da casa de Gakiya, que é protegido por escolta policial. Foi usado um drone para sobrevoar a casa do promotor.

Em Presidente Venceslau (SP), o levantamento sobre Roberto Medina foi conduzido por Victor Hugo a mando de Welisson, que coordenava o monitoramento à distância.

Os investigadores descobriram que VH filmou e fotografou a residência do delegado e de sua esposa, Jacqueline Medina, além de monitorar o veículo e o local de trabalho dela, um posto do Poupatempo.
Essas gravações, feitas durante junho de 2025, foram enviadas via WhatsApp a Welisson.

Não há informações na investigação se o plano contra Gakyia e Medina estava relacionado à ação que matou o ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Fontes, em setembro.

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