Os advogados Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça no governo Dilma, e Davi Tangerino assumiram nesta quarta-feira (22) a defesa do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, preso na quarta fase da operação Compliance Zero. Eles substituirão o advogado Cléber Lopes.

A informação foi publicada antes no jornal O Globo. A mudança é interpretada como o primeiro passo para a negociação de um acordo de delação premiada. Costa é personagem central da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, interrompida pela liquidação pelo Banco Central e investigada pela Polícia Federal.

Com a negociação de um acordo de delação de Daniel Vorcaro em curso, Costa fica sem opções. Ele seria um personagem central do que Vorcaro tem a contar sobre a negociação. Ao se tornar um colaborador, Costa entra em uma espécie de concorrência e busca uma redução de pena.

A troca na defesa ocorre antes mesmo de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) terminar de analisar a decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a prisão de preventiva de Costa. Há dois votos a favor da manutenção da prisão – um do próprio Mendonça e outro do ministro Luiz Fux. O ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito e não participa. O julgamento, em plenário virtual, termina na sexta-feira (24).

Paulo Henrique Costa é suspeito Costa é suspeito de receber propina de Vorcaro, em forma de seis imóveis avaliados em 146,5 milhões de reais, em Brasília e São Paulo, em troca de afrouxar regras do BRB para possibilitar o salvamento do Master. A PF afirma que, ao final, ele recebeu pouco mais da metade disso, 74 milhões de reais. De acordo com a investigação, foram usados fundos da Reag, de João Carlos Mansur, para colocar a operação em prática e seis empresas de fachada foram criadas para ocultar que os imóveis seriam de Costa.