O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, defendeu a prorrogação do prazo de conclusão da investigação da Polícia Federal sobre o esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça. O pedido, mantido em sigilo, foi encaminhado ao ministro Cristiano Zanin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
No documento, Gonet corrobora as manifestações recentes da Polícia Federal sobre a existência de um esquema de venda de sentenças. “A análise preliminar, afirma o relatório da Polícia Federal, revelou indícios de que Roberto Zampieri e Andreson Gonçalves operacionalizavam a comercialização ilícita de decisões judiciais no âmbito do Superior Tribunal de Justiça”, afirma.
Porém, Gonet aponta a necessidade de a PF aprofundar e complementar alguns pontos da investigação. “O cenário investigativo apresentado é, evidentemente, complexo, e há, naturalmente, pontos apresentados no relatório parcial que demandam esclarecimentos pontuais por parte da Autoridade Policial, a fim de viabilizar a escorreita análise dos elementos probatórios até então carreados aos autos”, diz.
Entre outros pontos a serem aprofundados, o procurador-geral cita as suspeitas sobre a Fource Consultoria, empresa que, como mostrou o Bastidor, esteve envolvida em grandes casos – em valores e repercussão – de recuperações judiciais e falências. A PF acusa a empresa e seus controladores de criarem um esquema de fraudes em recuperações judiciais.
Gonet considera verossímeis as hipóteses apontadas pela PF contra a Fource. O relatório da polícia usou mensagens trocadas entre o advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, e o lobista Andreson Gonçalves, apontado como figura central no contato com o STJ, para apontar suspeitas sobre a atuação da empresa.
Gonet, contudo, vê a necessidade de a PF apresentar mais elementos que corroborem as acusações no caso. Em relação especificamente à Fource, por exemplo, disse que “suscita dúvidas quanto à existência de elementos que respaldem a via investigativa eleita”.
Gonet também sugere que a PF apresente mais indícios sobre crimes em outros casos de recuperação judicial. Como mostrou o Bastidor, a polícia abriu uma nova frente sobre advogados e empresários que atuam majoritariamente em processos desse tipo.
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