Jair Bolsonaro sabe que precisa das polícias – além dos evangélicos – para reduzir o abismo que o separa de Lula na corrida presidencial marcada para 2022. E o presidente começou a tentar reaver parte do apoio que foi perdendo ao longo do seu tumultuado mandato.

Ontem (16), o capitão reformado do exército publicou medida provisória e alterou um decreto para dar plano de saúde aos policiais federais. Hoje (17), sancionou projeto aprovado no fim de outubro pelo Congresso para instituir o dia do policial legislativo – que será celebrado em 23 de junho. O texto foi relatado por um dos apoiadores do presidente, o deputado coronel Tadeu, do PSL paulista.

Bolsonaro também disse que reajustará, para o ano que vem, os salários de policiais federais, rodoviários federais e agentes do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). “Temos que valorizar vocês também, não podemos ficar apenas nos discursos e nas promessas”, afirmou no último dia 14.

Cálculos do Ministério da Justiça estimam um gasto total, até 2024, de R$ 11 bilhões – R$ 2,8 bilhões em 2022 e 4,1 em cada um dos dois anos seguintes. 

O Bastidor mostrou que Bolsonaro perdeu apoio na PF e que o presidente usa da confusão orçamentária para fingir que prestigia a classe que o ajudou a sentar na principal cadeira do Palácio do Planalto.

Especificamente sobre a PF, este site também noticiou que um dos motivos da insatisfação são as dificuldades enfrentadas para realizar o combate à corrupção – afetado pela ingerência do governo na diretoria da instituição. E tudo isso também pode ser dito em números.

Pesquisa divulgada em abril deste ano pelo instituto Atlas mostrou que 61% dos policiais civis que votaram em Bolsonaro em 2018 não pretendem repetir a dose em 2022 – eles representam 53% da classe.

Na PF, o arrependimento alcançou 38% do efetivo que digitou 17 na urna eletrônica há pouco mais de três anos – esse grupo representa 61% dos agentes. A única corporação que mantém forte apoio a Bolsonaro é a Polícia Militar. Entre os PMs, 71% escolheram o capitão reformado no último pleito e, desses, 81% mantém a posição.