A investigação da Polícia Federal afirma que o senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, alvo da nova fase da operação Sem Desconto nesta quinta-feira (18), exercia a função de braço político no esquema de desvio de dinheiro dos aposentados e pensionistas do INSS. Para PF, Weverton é suspeito de receber os valores desviados por meio de ex-assessores de seu gabinete em Brasília. Entretanto, a decisão do Supremo Tribunal Federal não especifica as quantias e as datas de transferências ou depósitos que vinculem o senador diretamente ao caso.

Para demonstrar sua relação com o caso, a PF cita um arquivo em formato Excel identificado como “grupo senador Weverton”. O documento foi encontrado em uma conversa entre Alexandre Caetano e Rubens Oliveira Costa, apontados como operadores financeiros ligados a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Com base nessas informações, a PF pediu a prisão preventiva de Weverton, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) foi contra. Segundo o procurador-geral, Paulo Gonet, não ficou demonstrada a conexão do senador com o recebimento ou as condutas ilícitas do grupo criminoso. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, seguiu o mesmo entendimento e negou o pedido de prisão.

Entre outros elementos citados pela PF está uma fotografia de Weverton próximo de uma aeronave de prefixo PT-LPL. Segundo a investigação, cotas desse avião foram adquiridas pelo Careca do INSS em conjunto de Erik Marinho, segundo suplente do senador Efraim Filho, do União Brasil da Paraíba.

Para a PF, o senador atuava como “sócio oculto” de determinadas operações financeiras do esquema criminoso. A decisão de Mendonça, que se tornou pública após a deflagração da operação, não deixa claro a quantia e nem quais foram os remetentes dos valores para Weverton.

A nova fase da operação mirou também assessores e ex-assessores de Weverton que ocupam cargos estratégicos no Congresso e no Ministério da Previdência. Entre os citados está Adroaldo Portal, assessor de Weverton entre 2019 e 2023 e secretário-executivo da pasta até esta manhã. A investigação também menciona Eduardo Silva Portal, filho de Adoraldo e assessor no gabinete do senador, e Vanessa Barramacher Tocantins, ex-assessora de Weverton e chefe de gabinete no ministério. Os dois, segundo a PF, foram identificados por movimentações financeiras suspeitas e incompatíveis com seus salários.

Outro nome destacado é Gustavo Marques Gaspar, apontado como braço direito do senador, que atuou como assessor na liderança do PDT no Senado e manteve relação próxima o Careca no INSS. Além disso, participava com frequência de reuniões em gabinetes ministeriais, o que sinaliza para os investigadores um uso ativo de influência política mesmo em meio às investigações.