A Paper Excellence abriu uma nova frente de batalha contra a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, na disputa pelo controle da Eldorado Celulose. A defesa da empresa abriu um procedimento arbitral na Câmara de Comércio Internacional, em Paris, em busca de indenização de 3 bilhões de dólares.
A Paper alega que a J&F e a Eldorado, que ainda é controlada pelos Batista, praticam atos desleais e abusivos para impedir a transferência da empresa de celulose. A venda foi firmada em 2017. No ano seguinte, os Batista desistiram do negócio e criaram um disputa judicial pulverizada em diversas instâncias no Brasil.
Na CCI, a Paper cobra indenização pelo que chama de “violações contratuais” e pelo atraso da concretização do negócio. O valor supera os 15 bilhões de reais que foram acordados pela compra da Eldorado.
A nova arbitragem, em tese, não altera a que ocorreu no Brasil, que deu vitória à Paper e que a J&F tenta anular na Justiça. Os Batista conseguiram uma vitória quando o ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça, suspendeu o julgamento do Tribunal de Justiça de São Paulo em janeiro do ano passado. A decisão ainda não foi examinada pela relatora do caso, ministra Nancy Andrighi.
Agora, a Paper quer ser indenizada. Em um longo comunicado divulgado nesta quarta-feira (8), diz que optou por mudar a sede da arbitragem para a França para impedir que a J&F continue “abusando do seu direito de ação”.
Em nota, a J&F disse que “não tem conhecimento desta nova tentativa de pressão para desistir de seus direitos e confia no cumprimento do contrato e no respeito à lei brasileira e nas decisões do Poder Judiciário”. Acrescentou que “caso a informação seja verdadeira, a Paper Excellence enganou o Supremo Tribunal Federal ao afirmar que estava disposta a negociar um acordo perante a própria Suprema Corte, enquanto ganhava tempo para fugir da jurisdição brasileira”.

