O empresário Roberto Augusto Leme Silva, conhecido como Beto Louco, firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia após ter seus acordos rejeitados na Procuradoria-Geral da República, no Ministério Público de São Paulo. Beto Louco está foragido há oito meses, quando foi deflagrada a operação Carbono Oculto. Sua última localização conhecida pelas autoridades é na Líbia.
Para fechar o acordo, Beto Louco confessou os crimes de adulteração de combustíveis, sonegação fiscal e corrupção ativa, cometidos em conluio com servidores da Secretaria de Fazenda da Bahia, em troca de redução de pena e outros benefícios. A 2ª Vara Criminal de Feira de Santana homologou a delação. Não há informações de que o MP da Bahia condicionou a homologação à entrega de Beto Louco.
Segundo pessoas próximas às negociações, Beto deu informações sobre um esquema de sonegação fiscal que movimentou cerca de 400 milhões de reais, o pagamento de propina a servidores da Sefaz e a adulteração de combustíveis em postos ligados ao seu grupo e ao de Mohamad Hussein Mourad, dono da Copape. Mohamad também segue foragido e não há informações de que tenha colaborado com as investigações.
A delação resultou na operação Khalas, deflagrada na quinta-feira (21) pelo Grupo de Atuação e Combate à Sonegação Fiscal do MP da Bahia, com apoio da Polícia Civil. A ação prendeu o auditor fiscal Olavo José Gouveia Oliva, que atuava na Coordenação de Petróleo e Combustível e, segundo as investigações, era um dos principais líderes do esquema. Com ele, foram apreendidos cerca de 250 mil reais em dinheiro.
Ao todo, a operação bloqueou bens e imóveis de cinco pessoas físicas e sete jurídicas. Foram cumpridos 13 mandados de busca em Salvador, Feira de Santana, Camaçari e Candeias.
Procurada, a defesa de Beto Louco preferiu não se manifestar. O Bastidor tenta contato com a defesa do auditor fiscal Olavo José Gouveia Oliva.

