“Invasão silenciosa/ninguém viu de onde veio/separa as laras que hoje vai ser resumo/soco do Popó quebrou as fintech no meio/1 bilhão resumido deixando os banco (sic) sem rumo”

O funk “1 Bilhão”, interpretado por William Marcelino Araújo, o MC Willian Original, chamou atenção da Polícia Federal no contexto das investigações do maior roubo ao sistema financeiro do país, a partir da invasão aos sistemas da C&M Software.

O video da música, de 3min28, produzido pela empresa CriaHit, de São Paulo, foi lançado no canal do funkeiro no YouTube em 3 de julho, apenas dois dias após o crime. É repleto de cenas de ostentação com dinheiro em espécie e roupas. Para reforçar a conexão com a realidade, intercala imagens com reportagens sobre o crime.

A letra não fala diretamente, mas é baseada na atuação da quadrilha que desviou 813 milhões de reais. Tem detalhes que eram desconhecidos na ocasião do lançamento, como a cifra de 1 bilhão de reais, próxima do valor roubado. Menciona o mesmo modo de operação da quadrilha para desviar o dinheiro, com o uso de laranjas para lavar o dinheiro ilegal. Usa, inclusive, os mesmos jargões identificados pela Polícia Federal em conversas interceptadas pelo banco, como “laras” — referência a contas de laranjas — e “resumo”, termo associado ao crime de lavagem de dinheiro.

Em outro trecho, o funk diz “um a zero para o crime, o 7 tá na cena”, expressão semelhante à usada por Patrick Zanquetim de Morais, apontado como principal lavador do esquema, em um diálogo descoberto pela PF nas investigações. Na conversa, ele comenta um bloqueio bancário que reteve 8 milhões de reais do chamado “777”, personagem ainda não identificado.

A suspeita de proximidade com o crime tem um personagem. Um dos presos por envolvimento no roubo é Luccas Dhuan Santa Rosa Pombal, conhecido como Bart. Ele foi detido pela Interpol na Argentina. Nas redes sociais, Pombal se apresenta como empresário e dono de uma gravadora de funk. Além disso, MC Willian, intérprete do funk, e Pombal se seguem no Instagram.

Segundo as investigações, Pombal atuou na lavagem do dinheiro ao receber parte dos valores em contas de laranjas e realizar saques para movimentar quantias em espécie. Ele já é investigado em outros dois inquéritos da Polícia Civil de São Paulo por lavagem de dinheiro.

Em nota enviada ao Bastidor, a CriaHit afirmou que o vídeo é uma obra artística ficcional e negou ter tido conhecimento prévio do roubo. Clique aqui para ler a íntegra.

A CriaHit não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre as datas de produção do vídeo e financiamento do material.

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