Dados de um relatório da Receita Federal enviado à CPI do Crime Organizado mostram que o Banco Master, de Daniel Vorcaro, pagou 1,43 milhão de reais ao empresário Marcos de Moura, conhecido como Rei do Lixo na Bahia. Os valores constam na Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf) entregue aos senadores, à qual o Bastidor teve acesso.
O valor foi pago à MM Limpeza Urbana, que tem como sócios José Marcos de Moura e Alexsandro Gonçalves de Moura, a título de “rendimentos de capital”. Para a Receita, essa rubrica se refere a lucros obtidos com aplicações como CDBs e outros fundos de renda fixa, mas não há detalhes da origem do investimento.
Em nota, o advogado de Moura, José Eduardo Alckmin, afirmou que a empresa era correntista do Master e que o dinheiro pago pelo banco era referente ao valor bruto no momento do resgate da aplicação. Segundo ele, houve ainda o desconto de 20% referente ao Imposto de Renda. “A empresa foi, portanto, cliente do Banco e, nessa condição, não tem qualquer ingerência e nem informação sobre a rubrica que porventura tenha sido utilizada pela Instituição Financeira nos seus lançamentos e declarações”, afirmou.
A influência de Moura foi revelada pelo Bastidor em 2022. A proximidade com o vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, o ajudou a fechar contratos para a gestão do lixo em Salvador e em cidades do interior baiano. Na capital, o contrato é de 174 milhões de reais. Na campanha eleitoral de 2022, Neto viajou em um avião particular de Moura.
A MM Limpeza Urbana, que recebeu recursos do Master, tem contratos com diversas prefeituras da Bahia e de outros estados, inclusive da capital, Salvador.
Moura foi integrante do diretório nacional e da executiva do União Brasil até dezembro de 2024, quando foi preso na operação Overclean, da Polícia Federal. Além dele, receberam dinheiro do Master o vice do partido, ACM Neto – 5,4 milhões de reais por serviços de consultoria -, e o presidente, Antonio Rueda – 6,4 milhões de reais a dois de seus escritórios de advocacia. Tanto Neto quanto Rueda negam irregularidades.
O Bastidor tentou contato com o Banco Master, mas ainda não obteve resposta sobre os pagamentos a Marcos Moura.

