A fintech Tycoon Technology, conhecida como Zeit Bank, está em dois escândalos ao mesmo tempo. Além de ser investigada na operação Tank por ser um dos veículos usados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavar dinheiro de fraudes no setor de combustíveis no Paraná, recebeu 8,5 milhões de reais do maior ataque hacker ao sistema financeiro, que gerou um prejuízo de mais de R$ 800 milhões a oito instituições financeiras.

Documentos obtidos pelo Bastidor mostram que a Tycoon recebeu o dinheiro em treze contas diferentes, entre empresas e pessoas físicas, tratadas pela investigação como laranjas. Foram transferidos 8 milhões do banco BMP para onze contas na Tycoon e 500 mil reais da Credsystem e do Banco Industrial para outras duas contas na mesma fintech.

As transferências foram todas feitas via Pix. Como já mostrou o Bastidor, a Tycoon é regulada pelo Banco Central (BC), mas usa a modalidade chamada “Pix indireto”, em que suas transações via Pix são liquidadas por meio de um banco ou cooperativa diretamente conectado ao BC. É comum que fintechs faça isso para reduzir custos.

O proprietário da Tycoon é Rafael Bronzatti Belon, preso na operação Tank ,em 28 de agosto. Ele e seu pai, Ítalo Belon Neto, são apontados integrantes de um “braço” do esquema de fraude, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro para o PCC no Paraná.

Segundo pessoas a par das investigações, uma linha de apuração tenta identificar se há alguma conexão dos proprietários das fintechs que receberam as primeiras transferências do desvio com os executores do roubo.

Em conversas interceptadas na investigação, Patrick Zanquetim, suspeito de lavar o dinheiro do roubo, afirmou ter contato com “dono do banco”, o que lhe permitia estruturar o escoamento do montante.

A investigação ainda não conseguiu apontar a quantia recuperada dos 813 milhões de reais. O mecanismo de Pix indireto também foi adotado por outras duas fintechs que já possuíram relação comercial, a Soffy Soluções e BMB Pagamentos, e que também receberam juntas mais de 368 milhões oriundo do ataque hacker.

Em nota, o advogado Daniel Bronzatti Belon, que representa os proprietários da Tycoon, disse que a fintech apresentou ao BC um plano de gerenciamento de riscos dias antes da operação Tank. Clique aqui para ler a íntegra.

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