Em um fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários no domingo (7), a Reag Investimentos informou que seu controlador, o empresário João Carlos Mansur, vendeu sua parte na empresa para a Arandu Capital Holding, empresa controlada por executivos da própria Reag.

Na transação, 87,38% do capital foi vendido. Os valores do negócio não foram comunicados.

A negociação se deu após a Reag ter sido um dos alvos da operação Carbono Oculto, que investiga o uso de fundos de investimentos pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do páis, para lavar dinheiro sujo obtido por fraudes e sonegação fiscal no setor de combustíveis.

Documentos apreendidos pelos investigadores mostraram que a Reag administra fundos ligados ao esquema liderado por Mohamad Hussein Mourad, dono da Copape, e por Roberto Augusto Leme da Silva. Ambos são suspeitos de ligação com o PCC. A Reag estruturou e administrou fundos como Mabruk II e Hans 95, apontados como instrumentos de lavagem de dinheiro e fraude fiscal.

No ano passado, o Bastidor mostrou que um fundo administrado pela Reag entrou na Justiça para tentar anular a decisão da Agência Nacional do Petróleo de suspender a licença da Copape, de Mohamad.

A Receita Federal identificou que João Carlos Mansur, sócio da Reag, figurava como sócio majoritário do Mabruk II, fundo que adquiriu créditos de usinas em recuperação judicial, debêntures de empresas do grupo de Mohamad e notas comerciais de companhias suspeitas. Apesar das suspeitas da polícia, a Reag nega ligação com fraudes e com o crime organizado.

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