O caminho para o advogado Otto Lobo voltar à presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) avançou no Senado após três meses de espera. Na noite de quinta-feira (9), o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, encaminhou a indicação de Lobo para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde ele será sabatinado antes da votação em plenário.

Em janeiro, contrariando o Ministério da Fazenda, o presidente Lula indicou Lobo para a presidência da CVM e o advogado Igor Muniz, apoiado pelo PT da Bahia, para uma diretoria do órgão. As indicações estavam paradas desde então na mesa de Alcolumbre.

Para aprovação, Lobo e Muniz precisam de maioria simples no Senado, 41 votos favoráveis entre os 81 senadores. A CAE tem 27 membros e exige a presença mínima de 14 senadores para a realização da sabatina.

Senadores avaliam que o envio dos nomes à CAE integra o mesmo movimento que destravou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça está prevista para o dia 29. Segundo um senador governista, o avanço das indicações ocorre porque, em breve, a agenda política deve se concentrar nas eleições.

Lobo já foi diretor da CVM e assumiu a presidência interinamente após a renúncia de João Pedro Nascimento, em julho de 2025. Durante sua passagem, inclusive como presidente interino, acumulou decisões favoráveis ao Banco Master e a empresas ligadas ao empresário Nelson Tanure, como mostrou o Bastidor.

Com o avanço do caso Master, aumentou a resistência à sua indicação. O Ministério da Fazenda não superou a escolha e atua nos bastidores para enfraquecê-la. A situação de Lobo se agravou em 24 de fevereiro, durante audiência do presidente interino da CVM, João Accioly, na CAE.

Na sessão, o presidente do colegiado, Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, questionou se a indicação de Lobo era política e se ele havia atuado em favor do Master quando esteve na CVM. O episódio elevou a preocupação entre senadores da base aliada. No governo, avalia-se que a indicação pode ser interpretada como um gesto em favor do Master.

Integrantes do governo passaram a considerar alto o custo político de sustentar a indicação. Um senador da base afirmou ao Bastidor que não há orientação do Planalto para defesa pública do nome de Lobo. A avaliação é que ele enfrentará a sabatina sem apoio direto do governo e terá de articular votos por conta própria.

O Bastidor procurou Otto Lobo, que optou por não se manifestar.