O governo Lula emplacou Valter Luiz Cardeal de Souza como novo diretor de Operação do ONS, o Operador Nacional do Sistema Elétrico. A indicação foi feita pelo Ministério de Minas e Energia e aprovada na manhã desta quinta-feira (19) numa Assembleia Geral Ordinária.

A diretoria de Operação é uma das mais cobiçadas do órgão. Cardeal vai substituir Christiano Vieira, que era bem cotado para ser reconduzido ao posto. Pesou a seu favor a pressão feita pelo PT e pelo ministro Alexandre Silveira.

A indicação causou desconforto no ONS, por conta do passado controverso de Cardeal. A aprovação pegou diretores do órgão de surpresa.

Próximo da então presidente Dilma Rousseff, Cardeal foi influente no setor elétrico em seu governo. Foi diretor de Planejamento e Engenharia da Eletrobrás e presidente do Conselho da Norte Energia, quando teve influência na construção da hidrelétrica de Belo Monte.

Durante a operação Lava Jato, foi citado na delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, como alguém que participou do esquema de corrupção na Eletronuclear. Foi alvo de uma condução coercitiva da Polícia Federal na Operação Pripyat, decorrente da Lava Jato. Ele era diretor da Eletrobras e foi acusado de mandar a UTC doar dinheiro para o PT.

Também foi aprovado na assembleia o nome de Hugo Dantas para a diretoria de Assuntos Corporativos. Ele entra no lugar de Elisa Bastos. Cardeal e Dantas assumem o cargo em maio com mandato até 2030.

O ONS é o órgão responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional, sob fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica. Não é uma estatal – o que, em tese, deveria blindar o órgão de indicações políticas.