Luiz Inácio Lula da Silva será o primeiro político a governar o Brasil por quatro mandatos, eleito de forma democrática. O presidente reverteu uma desvantagem de 2,2 milhões de votos e se tornou neste domingo (25) o primeiro candidato a vencer uma eleição presidencial tendo terminado o primeiro turno em desvantagem. Isso nunca havia acontecido desde a primeira eleição da redemocratização, em 1989.
Com 99,32% das seções totalizadas, Lula tinha 51,75% dos votos válidos, 63,8 milhões, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, tinha 48,25%, 59,5 milhões. A diferença era de 4,3 milhões de votos. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio havia recebido 56,1 milhões de votos, 47,03% dos válidos, contra 53,9 milhões, 45,16%, de Lula. Em três semanas, Lula somou 9,9 milhões de votos ao que tivera na primeira votação. Flávio somou 3,4 milhões.
A virada começou no comparecimento. A abstenção do primeiro turno foi de 21,08%, 33,5 milhões de eleitores, a maior taxa de um primeiro turno desde 1998. No segundo, pelo painel parcial do TSE, ficou em torno de 19%. O país tinha 158,7 milhões de eleitores aptos, o que significa mais de três milhões de pessoas a mais nas urnas. A taxa também ficou abaixo dos 20,59% do segundo turno de 2022. Os votos brancos e nulos caíram de 4,77% para cerca de 3,2% do total. O conjunto de votos válidos cresceu quase quatro milhões em relação a 4 de outubro.
O eleitor que voltou às urnas era o eleitor de que Lula precisava. Na véspera, o Datafolha mostrava Flávio com 52% contra 48% entre os 76% do eleitorado com alta propensão a votar. Entre os 24% de baixa ou média propensão, Lula tinha 52% e Flávio, 48%.
O segundo motor foi o Nordeste. No primeiro turno, Lula teve 21,49 milhões de votos na região, contra 10,40 milhões de Flávio, uma vantagem de 11,1 milhões. No segundo, pelo levantamento regional feito sobre os arquivos do TSE às 21h11, Lula tinha cerca de 69,3% dos votos válidos nordestinos e saldo superior a 13,5 milhões. O ganho de pelo menos 2,4 milhões de votos na região supera, sozinho, a desvantagem com que Lula saiu do primeiro turno. A Bahia deu a maior vantagem estadual, cerca de 3,83 milhões de votos, com 71,29% dos válidos. O Piauí deu o maior percentual, 75,87%. Pernambuco e Ceará deram saldos superiores a dois milhões cada.
O ganho veio de uma região que já votava mais do que o resto do país. No primeiro turno, o Nordeste teve 18,4% de abstenção, 1,1 ponto abaixo de 2022. O Sudeste teve 22,70%, a maior taxa do país. O TSE ainda não divulgou a abstenção do segundo turno por região.
O Nordeste não explica toda a virada. Lula também encolheu a derrota no Sudeste, o maior colégio eleitoral. No primeiro turno, considerando apenas os dois candidatos, Flávio teve 56,41% na região, uma diferença de cerca de 5,66 milhões de votos. Com 85,24% das urnas apuradas no segundo turno, Flávio tinha 53,3% no Sudeste. Venceu ainda no Sul, com 62,6%, no Centro-Oeste, com 60,1%, e no Norte, com 50,3%. Lula venceu em uma única região, mas perdeu nas outras quatro por margens menores do que em 4 de outubro.
As pesquisas finais não captaram o movimento de virada. Na véspera, a Quaest e o Datafolha davam 51% a 49% para Flávio nos votos válidos, um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A urna deu a Lula 3,5 pontos de vantagem.