O Conselho Superior do Ministério Público Federal decidiu, nesta sexta-feira (4), instaurar procedimento interno depois que mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro vieram a público citando o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A apuração nasceu de um pedido feito por deputados federais do Novo ao CSMPF na quarta-feira (2).

O relator será o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, e Gonet tem prazo de dez dias para se explicar ao colegiado.

Na prática, os deputados querem que outro subprocurador-geral assuma qualquer apuração do caso Master que toque no atual chefe da PGR, e não fazem, no pedido, nenhuma acusação formal de crime contra Gonet. A instauração do procedimento em si nada prova contra ele: é uma etapa preliminar de checagem, sem qualquer juízo prévio sobre sua conduta.

As mensagens que motivaram o pedido vieram de uma perícia da Polícia Federal no celular de Vorcaro, cujo sigilo foi parcialmente derrubado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso no tribunal. Em um dos trechos, Vorcaro cobra de um interlocutor a ajuda de “Andrei e Paulo”, nomes que a Polícia Federal associa ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e a Gonet.

Quem intermedeia boa parte do contato com o procurador-geral, segundo o material, é o advogado Ciro Soares. Em abril de 2024, ele descreveu a Vorcaro a relação com Gonet como uma amizade sólida, chegando a escrever que “Gonet é firme”. As mensagens também mostram Vorcaro bancando a ida de um filho de Gonet a um evento em Londres.

Ainda assim, o próprio material tem limites: em nenhum ponto aparece prova de que Gonet tenha respondido a esses pedidos ou agido para beneficiar Vorcaro, apenas tentativas de contato e citações a seu nome feitas por terceiros.

Gonet não comentou publicamente o conteúdo específico dessas mensagens. Antes disso, já havia contestado, no processo sob relatoria de Mendonça, a validade do relatório da PF que trouxe esse material à tona.

O episódio se soma a uma tensão maior entre STF, PGR e cúpula da Polícia Federal em torno do caso Master. Horas antes da decisão do CSMPF, o presidente da Corte, Edson Fachin, cobrou explicações de Gonet, dos ministros Mendonça e Alexandre de Moraes e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sobre o mesmo episódio.

Quando Gonet se pronunciar, caberá a Sanseverino decidir se há motivo para alguma medida institucional ou se o caso deve ser arquivado.